Três erros na hora de abrir o CNPJ que custam caro depois
Erros ao abrir CNPJ costumam envolver CNAE inadequado, regime tributário escolhido sem cálculo e mistura entre contas pessoais e empresariais.

Tem decisões que parecem pequenas no momento de abrir a empresa e viram pedra no sapato meses depois. Já vimos os mesmos tropeços se repetirem com gente esperta, organizada, que só não sabia onde estava o buraco. Vamos a três deles.
Erro 1: escolher a atividade no automático
O código de atividade, o CNAE, não é uma formalidade que você preenche correndo. Ele orienta que impostos você paga, que obrigações cumpre, se precisa de licença, em qual regime pode se enquadrar. Colocar a atividade errada, ou esquecer de incluir uma secundária que você de fato exerce, gera dois tipos de dor: ou você emite nota de algo que não declarou, ou paga tributo de um jeito que não bate com o que faz.
O conserto existe, mas dá trabalho e às vezes envolve regularizar período passado. Mais fácil acertar de saída. Descreva o que você faz de verdade, não o que parece mais simples no formulário.
Erro 2: escolher o regime tributário por ouvir falar
"Todo mundo vai de Simples." Já perdemos a conta de quantas vezes ouvimos isso. Às vezes é verdade para o caso da pessoa. Às vezes está longe de ser.
O regime certo depende do faturamento projetado, da margem do negócio, do peso da folha, do tipo de cliente que você atende. Uma empresa que vende para outras empresas pode ter uma conta bem diferente de quem vende para o consumidor final. Entrar no regime errado por inércia é como comprar sapato sem experimentar: pode até servir, mas a chance de apertar é grande.
Isso não se adivinha: simula-se com os seus números.
Erro 3: tratar a abertura como linha de chegada
Esse é o mais comum e o mais silencioso. A pessoa abre o CNPJ, comemora, e some. Some das obrigações mensais, da declaração anual, do controle de faturamento. Aí, lá na frente, descobre que havia guias a pagar, prazos a cumprir, um teto que foi ultrapassado sem ninguém perceber.
Abrir empresa é o começo de uma rotina, não o fim de uma tarefa. Quem entende isso desde o primeiro dia separa a conta da empresa da conta pessoal, anota o que entra e sai, e dorme tranquilo. Quem ignora costuma levar susto quando menos espera.
Um detalhe que vale repetir: nada disso é grave quando você sabe que existe. Vira problema só quando pega de surpresa.