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Gestao
2 de dezembro de 2024Fortes Controladoria

Férias coletivas: quando a empresa inteira para ao mesmo tempo

Férias coletivas: quando a empresa inteira para ao mesmo tempo

Você já deve ter vis­to aque­la fá­bri­ca que fe­cha as por­tas em ja­nei­ro, ou a loja que dá uma pau­sa logo de­pois do Na­tal. Mui­tas ve­zes isso é fé­ri­as co­le­ti­vas. A em­pre­sa de­ci­de que todo mun­do, ou um se­tor in­tei­ro, vai des­can­sar no mes­mo pe­rí­o­do. E isso tem re­gras pró­pri­as, di­fe­ren­tes das fé­ri­as in­di­vi­du­ais.

A ideia faz sen­ti­do em vá­ri­os ca­sos. Ne­gó­cio que tem épo­ca pa­ra­da, in­dús­tria que pre­ci­sa fa­zer ma­nu­ten­ção de má­qui­nas, co­mér­cio que sabe que aque­le mês mal ven­de. Em vez de cada fun­ci­o­ná­rio sair numa data, to­dos saem jun­tos. Or­ga­ni­za a pro­du­ção e evi­ta aque­le que­bra-ca­be­ça de es­ca­la.

O que muda em re­la­ção às fé­ri­as nor­mais

A pri­mei­ra di­fe­ren­ça está em quem de­ci­de. Nas fé­ri­as co­le­ti­vas, é a em­pre­sa que de­fi­ne o pe­rí­o­do. O fun­ci­o­ná­rio não es­co­lhe. Em tro­ca des­sa li­ber­da­de, a CLT im­põe li­mi­tes ao de­se­nho: a pa­ra­da pode al­can­çar to­dos os em­pre­ga­dos ou ape­nas os de de­ter­mi­na­dos es­ta­be­le­ci­men­tos e se­to­res, não pode ser fra­ci­o­na­da em mais de dois pe­rí­o­dos no ano, e ne­nhum des­ses pe­rí­o­dos pode ser cur­to de­mais. Ca­len­dá­rio mon­ta­do fora des­ses li­mi­tes é con­ces­são que pode ser ques­ti­o­na­da de­pois — e fé­ri­as ques­ti­o­na­das vol­tam como pas­si­vo tra­ba­lhis­ta, com a em­pre­sa ten­do pa­ra­do a pro­du­ção e pa­gan­do de novo. An­tes de fi­xar as da­tas, o que pre­ci­sa ser olha­do é quem en­tra na pa­ra­da, em quan­tos pe­rí­o­dos ela será di­vi­di­da e como isso con­ver­sa com o pe­rí­o­do aqui­si­ti­vo de cada em­pre­ga­do.

Ou­tra ques­tão im­por­tan­te é o avi­so. Fé­ri­as co­le­ti­vas não são co­mu­ni­ca­do in­ter­no: a em­pre­sa pre­ci­sa avi­sar com an­te­ce­dên­cia os em­pre­ga­dos e o sin­di­ca­to da ca­te­go­ria, e ain­da exis­te a co­mu­ni­ca­ção ao ór­gão do tra­ba­lho. Em­pre­sas en­qua­dra­das como mi­cro­em­pre­sa ou em­pre­sa de pe­que­no por­te têm essa for­ma­li­da­de jun­to ao ór­gão pú­bli­co ali­vi­a­da pela Lei Com­ple­men­tar nº 123/2006, mas o avi­so ao em­pre­ga­do e ao sin­di­ca­to con­ti­nua de pé — e é jus­ta­men­te aí que a mai­o­ria es­cor­re­ga, por achar que o por­te dis­pen­sa tudo. O pra­zo mí­ni­mo de an­te­ce­dên­cia está na CLT, e a con­ven­ção co­le­ti­va da ca­te­go­ria pode exi­gir mais do que ela: é na con­ven­ção que a data real de cor­te apa­re­ce. Quem pula essa eta­pa se ex­põe em duas fren­tes — a au­tu­a­ção do fis­cal do tra­ba­lho, com mul­ta, e a dis­cus­são de que aque­las fé­ri­as não fo­ram va­li­da­men­te con­ce­di­das, o que traz de vol­ta um pe­rí­o­do que a em­pre­sa já pa­gou. De todo jei­to, não é algo que se de­ci­de na sex­ta para co­me­çar na se­gun­da.

E quem tem me­nos de um ano de casa?

Essa é uma dú­vi­da fre­quen­te. O fun­ci­o­ná­rio re­cém-con­tra­ta­do, que ain­da não com­ple­tou doze me­ses de casa, tam­bém en­tra nas fé­ri­as co­le­ti­vas: ele goza fé­ri­as pro­por­ci­o­nais ao tem­po tra­ba­lha­do e, a par­tir dali, pas­sa a con­tar um novo pe­rí­o­do aqui­si­ti­vo. E se a pa­ra­da da em­pre­sa for mai­or do que os dias pro­por­ci­o­nais a que ele tem di­rei­to, o ex­ce­den­te cos­tu­ma ser tra­ta­do como li­cen­ça re­mu­ne­ra­da — o em­pre­ga­do fica em casa e re­ce­be nor­mal­men­te, sem des­con­to no sa­lá­rio. Esse é o pon­to que pega o cai­xa de sur­pre­sa: a em­pre­sa fe­cha­da con­ti­nua pa­gan­do dias que ain­da nem fo­ram ad­qui­ri­dos. E, como a data-base de cada re­cém-con­tra­ta­do muda, a fo­lha dos me­ses se­guin­tes muda jun­to — mo­ti­vo pelo qual essa con­ta pre­ci­sa ser fei­ta an­tes de o ca­len­dá­rio ser anun­ci­a­do, não de­pois.

A par­te fi­nan­cei­ra

As fé­ri­as co­le­ti­vas se­guem a mes­ma ló­gi­ca de pa­ga­men­to das in­di­vi­du­ais: o fun­ci­o­ná­rio re­ce­be a re­mu­ne­ra­ção do pe­rí­o­do mais o ter­ço cons­ti­tu­ci­o­nal, e esse di­nhei­ro tem de es­tar na con­ta dele an­tes de o des­can­so co­me­çar — a lei fixa pra­zo, e pa­ga­men­to fora do pra­zo é o tipo de fa­lha que gera dis­cus­são e cus­to lá na fren­te. Para a em­pre­sa, o efei­to é de cai­xa: um de­sem­bol­so con­cen­tra­do num úni­co mês, em­pi­lha­do so­bre o que já es­ta­va pre­vis­to para aque­la com­pe­tên­cia. É por isso que fé­ri­as co­le­ti­vas en­tram no pla­ne­ja­men­to fi­nan­cei­ro an­tes de en­tra­rem no ca­len­dá­rio.

A fo­lha não para de exis­tir só por­que a em­pre­sa fe­chou. Os cál­cu­los, as gui­as, os pra­zos con­ti­nu­am cor­ren­do. Por isso é co­mum que esse pe­rí­o­do seja pre­pa­ra­do com an­te­ce­dên­cia pela con­ta­bi­li­da­de.

Cada em­pre­sa tem uma re­a­li­da­de, uma con­ven­ção co­le­ti­va, um ca­len­dá­rio que faz mais sen­ti­do para o seu ramo. Não dá pra co­pi­ar o mo­de­lo do vi­zi­nho e apli­car igual. Se você está pen­san­do em ado­tar fé­ri­as co­le­ti­vas no seu ne­gó­cio e quer en­ten­der os pra­zos, co­mu­ni­ca­ções e cál­cu­los en­vol­vi­dos, a equi­pe da For­tes Con­tro­la­do­ria pode ana­li­sar a sua si­tu­a­ção. Nada dis­so se re­sol­ve no chu­te: cada em­pre­sa tem um en­qua­dra­men­to, uma ati­vi­da­de e nú­me­ros pró­pri­os, e é isso que muda a res­pos­ta. Vale pro­cu­rar um pro­fis­si­o­nal que acom­pa­nhe o seu caso de per­to an­tes de de­ci­dir. Es­ta­mos em São José do Rio Pre­to, no (17) 3203-2536 e no What­sApp.