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MEI
Por André Ferreira da SilvaAtualizado em 18 de outubro de 20264 min de leitura

Obrigações do MEI em 2026: as poucas que não podem falhar

As obrigações do MEI são poucas, mas incluem pagar o DAS mensal, entregar a DASN-SIMEI, emitir nota quando exigido e controlar faturamento.

Obrigações do MEI em 2026: as poucas que não podem falhar

O MEI tem fama de "em­pre­sa sem bu­ro­cra­cia", e em boa par­te é ver­da­de. Com­pa­ra­do a uma mi­cro­em­pre­sa co­mum, é coi­sa de ou­tro mun­do de tão mais leve. Mas leve não quer di­zer ine­xis­ten­te. Tem obri­ga­ções, sim, e quem tra­ta como se não ti­ves­se aca­ba pa­gan­do o pre­ço.

Reu­ni­mos aqui o que um MEI pre­ci­sa cum­prir, sem as­sus­tar e sem ame­ni­zar. São pou­cas coi­sas. O que im­por­ta é não es­que­cer ne­nhu­ma.

A contribuição mensal

Essa é a mais co­nhe­ci­da. Todo mês exis­te uma guia a pa­gar, um va­lor fixo que re­ú­ne a sua con­tri­bu­i­ção para o INSS e, con­for­me a ati­vi­da­de, um va­lor de ISS ou de ICMS. A van­ta­gem do MEI está aqui: você não paga tri­bu­to so­bre cada nota, paga um va­lor men­sal úni­co e pre­vi­sí­vel.

Mas tem que ser pago, e em dia. Atra­sar gera ju­ros e mul­ta, e mais gra­ve, mexe na sua pro­te­ção pre­vi­den­ci­á­ria, por­que é essa con­tri­bu­i­ção que ga­ran­te seus be­ne­fí­ci­os. Pa­gar o bo­le­to men­sal não é só "es­tar em dia com o fis­co". É man­ter a sua apo­sen­ta­do­ria e seus au­xí­li­os de pé.

A declaração anual

Uma vez por ano você in­for­ma quan­to a em­pre­sa fa­tu­rou no ano an­te­ri­or. É a DASN-SI­MEI, a de­cla­ra­ção anu­al do MEI, com pra­zo le­gal até 31 de maio. Rá­pi­da para quem se or­ga­ni­zou, do­lo­ro­sa para quem não ano­tou nada o ano todo. Fa­tu­ra­men­to zero tam­bém pre­ci­sa ser de­cla­ra­do. Não exis­te dis­pen­sa por não ter ven­di­do. A omis­são gera mul­ta, em­pur­ra o MEI para a ir­re­gu­la­ri­da­de e apa­re­ce na hora er­ra­da: quan­do a em­pre­sa pre­ci­sa de cer­ti­dão, de cré­di­to ou de um cli­en­te que exi­ge o CNPJ re­gu­lar.

A nota fiscal

A obri­ga­ção de emi­tir nota muda con­for­me para quem você ven­de: ven­den­do para ou­tra em­pre­sa, em re­gra a nota é exi­gi­da; ven­den­do para con­su­mi­dor pes­soa fí­si­ca, cos­tu­ma ha­ver dis­pen­sa, que cai no ins­tan­te em que o cli­en­te pede o do­cu­men­to. Para ser­vi­ços, a NFS-e do MEI pas­sou a se­guir um pa­drão na­ci­o­nal em vez do mo­de­lo de cada mu­ni­cí­pio, o que mu­dou o lei­au­te, os da­dos exi­gi­dos e a for­ma de guar­dar o do­cu­men­to. Para co­mér­cio, vale a re­gra es­ta­du­al da NF-e. E há um pon­to que pesa na cons­tru­ção ci­vil: quan­do o MEI é con­tra­ta­do por uma em­pre­sa para ser­vi­ços como hi­dráu­li­ca, ele­tri­ci­da­de, pin­tu­ra, al­ve­na­ria ou car­pin­ta­ria, a con­tra­tan­te não fica li­vre da pre­vi­dên­cia. Pela Lei Com­ple­men­tar 123/2006, ela con­ti­nua de­ven­do con­tri­bu­i­ção pa­tro­nal so­bre esse con­tra­to e as obri­ga­ções de quem con­tra­ta con­tri­bu­in­te in­di­vi­du­al. Isso muda a con­ver­sa com o cli­en­te, não só a nota.

O controle do que entra

Esse não é exa­ta­men­te uma obri­ga­ção for­mal cheia de for­mu­lá­rio, mas é uma exi­gên­cia prá­ti­ca que sus­ten­ta to­das as ou­tras. Você pre­ci­sa man­ter um re­gis­tro do seu fa­tu­ra­men­to. Pode ser um re­la­tó­rio men­sal sim­ples, ano­tan­do o que ven­deu. Esse con­tro­le é o que ali­men­ta a de­cla­ra­ção anu­al e o que te avi­sa quan­do você está che­gan­do per­to do teto de fa­tu­ra­men­to.

O limite de faturamento e o de funcionário

Não são ta­re­fas a cum­prir, são li­mi­tes a res­pei­tar. O teto de fa­tu­ra­men­to do MEI se­gue em R$ 81 mil por ano, pro­por­ci­o­nal aos me­ses de ati­vi­da­de no ano em que a em­pre­sa abriu, e a ca­te­go­ria ad­mi­te no má­xi­mo um em­pre­ga­do. Es­tou­rar o teto não é tudo igual: o ta­ma­nho do es­tou­ro é o que de­fi­ne o es­tra­go. Pas­san­do pou­co, o de­sen­qua­dra­men­to vale para o ano se­guin­te e ain­da dá tem­po de se or­ga­ni­zar. Pas­san­do mui­to, ele re­tro­a­ge ao co­me­ço do pró­prio ano, e a em­pre­sa pas­sa a de­ver, para trás, os tri­bu­tos como mi­cro­em­pre­sa so­bre um fa­tu­ra­men­to que já en­trou e já foi gas­to. É aí que a con­ta vira pro­ble­ma de cai­xa, e não de bu­ro­cra­cia. Por isso acom­pa­nhar o fa­tu­ra­men­to mês a mês vale mais do que pa­re­ce: o es­tou­ro se ad­mi­nis­tra an­tes, nun­ca de­pois.

Guardar os documentos

No­tas de com­pra, com­pro­van­tes de ven­da, re­ci­bos. Guar­de tudo. Pa­re­ce bobo en­quan­to está tudo cer­to, mas é o que te pro­te­ge se um dia o fis­co ques­ti­o­nar al­gu­ma coi­sa.

No fim das con­tas, ser MEI em dia se re­su­me a pa­gar a guia todo mês, de­cla­rar uma vez por ano, emi­tir nota quan­do pre­ci­so e acom­pa­nhar o fa­tu­ra­men­to. Quem cria essa ro­ti­na re­duz mui­to o ris­co de sur­pre­sa.

As re­gras e os li­mi­tes po­dem mu­dar de um ano para o ou­tro, e cada ati­vi­da­de tem seus de­ta­lhes de nota e tri­bu­to. Se você quer ter cer­te­za de que está cum­prin­do tudo cer­ti­nho den­tro da sua re­a­li­da­de, a equi­pe da For­tes Con­tro­la­do­ria pode re­vi­sar a sua si­tu­a­ção. Esse tipo de de­ci­são não se toma por com­pa­ra­ção com o caso do co­nhe­ci­do. Fi­ca­mos em São José do Rio Pre­to, no te­le­fo­ne (17) 3203-2536 e no What­sApp.