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Dicas
6 de março de 2025Fortes Controladoria

DAS do MEI em atraso: o que o débito destrava depois

DAS do MEI em atraso: o que o débito destrava depois

A guia men­sal do MEI, o DAS, é pro­va­vel­men­te a coi­sa mais sim­ples de toda a vida tri­bu­tá­ria do mi­cro­em­pre­en­de­dor. Um va­lor só, fixo, com ven­ci­men­to no dia 20 do mês se­guin­te ao da com­pe­tên­cia. E ain­da as­sim é aí que mais gen­te tro­pe­ça — sen­do que o pre­ço do tro­pe­ço não é o juro da guia, é o que ele des­tra­va de­pois: ex­clu­são do re­gi­me, dé­bi­to ins­cri­to em dí­vi­da ati­va e bu­ra­co na con­tri­bu­i­ção pre­vi­den­ci­á­ria.

A ques­tão qua­se nun­ca é como pa­gar. É en­ten­der o que essa guia car­re­ga, o que acon­te­ce quan­do ela dei­xa de ser paga e em que pon­to o pro­ble­ma para de ser um atra­so e pas­sa a ser per­da de en­qua­dra­men­to.

O que a guia car­re­ga

Todo mês ven­ce um DAS-SI­MEI. Nele está reu­ni­do tudo num va­lor só: a con­tri­bu­i­ção pre­vi­den­ci­á­ria do MEI, cal­cu­la­da so­bre o sa­lá­rio mí­ni­mo — 5% na re­gra ge­ral, ha­ven­do ocu­pa­ção que se­gue per­cen­tu­al pró­prio —, e, con­for­me a ocu­pa­ção re­gis­tra­da, o ISS dos ser­vi­ços ou o ICMS do co­mér­cio, ou os dois, quan­do a ati­vi­da­de abran­ge as duas fren­tes. Em vez de apu­rar tri­bu­to a cada ven­da, o mi­cro­em­pre­en­de­dor re­co­lhe esse va­lor fixo. É a sim­pli­fi­ca­ção que de­fi­ne o re­gi­me, e é exa­ta­men­te ela que se per­de quan­do a em­pre­sa é ex­clu­í­da dele.

O va­lor não de­pen­de do quan­to se fa­tu­rou no mês: é fixo, e ven­ce igual no mês cheio e no mês pa­ra­do. Essa é a par­te que cos­tu­ma pe­gar. Como a guia não acom­pa­nha a ven­da, o MEI que fi­cou sem mo­vi­men­to su­põe que não deve nada, e o dé­bi­to cor­re em si­lên­cio até apa­re­cer so­ma­do. O que muda o va­lor não é o fa­tu­ra­men­to, é a ati­vi­da­de re­gis­tra­da — ela de­ter­mi­na se en­tra ISS, ICMS ou os dois.

Onde o MEI cos­tu­ma se per­der

O es­que­ci­men­to é só o sin­to­ma mais vi­sí­vel. Por trás do dé­bi­to acu­mu­la­do cos­tu­mam es­tar três si­tu­a­ções con­cre­tas, e ne­nhu­ma de­las se re­sol­ve com lem­bre­te:

O mês sem fa­tu­ra­men­to. Como o DAS é fixo e in­de­pen­de de ven­da, pa­rar de fa­tu­rar não sus­pen­de a guia nem in­ter­rom­pe a obri­ga­ção. Quem en­ten­de o con­trá­rio sai da li­nha por vá­ri­os me­ses se­gui­dos sem per­ce­ber, e só des­co­bre quan­do pre­ci­sa de uma cer­ti­dão.

A mu­dan­ça de ati­vi­da­de. In­clu­ir ou tro­car a ocu­pa­ção al­te­ra a com­po­si­ção do que se paga — en­tra ou sai ISS, en­tra ou sai ICMS — e pode até der­ru­bar o en­qua­dra­men­to, se a nova ati­vi­da­de não cons­tar en­tre as per­mi­ti­das ao MEI. E o de­sen­qua­dra­men­to não é sem­pre vo­lun­tá­rio: ele tam­bém vem de ofí­cio, com data de efei­to que de­pen­de da hi­pó­te­se que o mo­ti­vou, e não da data em que o con­tri­bu­in­te per­ce­be.

A de­cla­ra­ção anu­al es­que­ci­da. Além das gui­as men­sais, o MEI en­tre­ga a DASN-SI­MEI até 31 de maio do ano se­guin­te ao ano-ca­len­dá­rio, e en­tre­ga mes­mo com fa­tu­ra­men­to zero. O atra­so tem mul­ta pró­pria, me­nor para quem en­tre­ga por con­ta an­tes de a Re­cei­ta co­brar, e a omis­são que se re­pe­te é uma das por­tas para o can­ce­la­men­to da ins­cri­ção — o que cos­tu­ma apa­re­cer jus­ta­men­te na hora em que se pre­ci­sa de cer­ti­dão ou de cré­di­to.

Ne­nhu­ma das três che­ga por avi­so. To­das apa­re­cem de­pois, so­ma­das, quan­do al­guém pede uma cer­ti­dão, quan­do o ban­co re­cu­sa a ope­ra­ção ou quan­do a Re­cei­ta abre um lote de co­bran­ça.

O que acon­te­ce se atra­sar

Atra­sar gera mul­ta e ju­ros so­bre a guia, que cres­cem com o tem­po. Iso­la­da­men­te, uma com­pe­tên­cia atra­sa­da não as­sus­ta. O pro­ble­ma é o es­tá­gio se­guin­te: o dé­bi­to não pago é en­ca­mi­nha­do para ins­cri­ção em dí­vi­da ati­va — a par­te pre­vi­den­ci­á­ria no âm­bi­to da Uni­ão, o ISS ou o ICMS no do mu­ni­cí­pio ou do es­ta­do —, e aí a dí­vi­da muda de pa­ta­mar, por­que pas­sa a ter en­car­go le­gal pró­prio, ór­gão de co­bran­ça pró­prio e re­gras de ne­go­ci­a­ção di­fe­ren­tes das que va­li­am an­tes.

E há o lado que pesa mais: a guia do MEI car­re­ga a con­tri­bu­i­ção pre­vi­den­ci­á­ria. Com­pe­tên­cia não re­co­lhi­da é com­pe­tên­cia que pode não con­tar para a apo­sen­ta­do­ria, para o be­ne­fí­cio por in­ca­pa­ci­da­de nem para o sa­lá­rio-ma­ter­ni­da­de, e a in­ter­rup­ção pro­lon­ga­da faz per­der a qua­li­da­de de se­gu­ra­do, que é o que sus­ten­ta a co­ber­tu­ra en­quan­to se con­tri­bui. Re­co­lher atra­sa­do re­põe o va­lor, mas nem sem­pre re­põe o pe­rí­o­do de ca­rên­cia já per­di­do — e é por isso que a or­dem em que os me­ses em aber­to são pa­gos im­por­ta.

Se já exis­tem gui­as atra­sa­das, há ca­mi­nho — e o que de­ci­de qual ca­mi­nho é o es­tá­gio de cada dé­bi­to. En­quan­to a com­pe­tên­cia ain­da está em co­bran­ça ad­mi­nis­tra­ti­va, ela se­gue uma re­gra de par­ce­la­men­to; de­pois de ins­cri­ta em dí­vi­da ati­va, se­gue ou­tra, com con­di­ções pró­pri­as e ór­gão pró­prio, e a par­ce­la de ISS ou de ICMS pode ter des­ti­no di­fe­ren­te da par­ce­la pre­vi­den­ci­á­ria, no mu­ni­cí­pio ou no es­ta­do. Er­rar essa lei­tu­ra é um tro­pe­ço co­mum: o con­tri­bu­in­te ade­re a um par­ce­la­men­to, se dá por re­gu­la­ri­za­do e se­gue com dé­bi­to aber­to do ou­tro lado, sem cer­ti­dão. Por isso o pri­mei­ro mo­vi­men­to não é ade­rir a nada, é le­van­tar com­pe­tên­cia por com­pe­tên­cia em que es­tá­gio cada uma está.

O que a re­gu­la­ri­da­de sus­ten­ta

No fun­do é isso. O re­gi­me en­tre­ga CNPJ ati­vo, emis­são de nota fis­cal e co­ber­tu­ra pre­vi­den­ci­á­ria por um cus­to fixo, e é o re­co­lhi­men­to em dia que sus­ten­ta o pa­co­te in­tei­ro. O que está em jogo no acú­mu­lo de dé­bi­to vai além do juro: a Re­cei­ta Fe­de­ral emi­te ter­mo de ex­clu­são do Sim­ples Na­ci­o­nal para de­ve­do­res, MEI in­clu­í­do, e quem não re­gu­la­ri­za den­tro do pra­zo in­di­ca­do no pró­prio ter­mo — pra­zo que a Lei Com­ple­men­tar 216/2025 am­pli­ou — é ex­clu­í­do do re­gi­me, com efei­to no ano se­guin­te, per­den­do o va­lor fixo e pas­san­do a apu­rar tri­bu­to fora do re­gi­me sim­pli­fi­ca­do, com toda a obri­ga­ção aces­só­ria que vem jun­to. E o re­ló­gio co­me­ça a cor­rer da ci­ên­cia do ter­mo, não da data em que o dé­bi­to nas­ceu: quem só vai ler a co­mu­ni­ca­ção ofi­ci­al de­pois cos­tu­ma des­co­brir a ex­clu­são já con­su­ma­da. O CNPJ con­ti­nua exis­tin­do; o que aca­ba é a sim­pli­fi­ca­ção.

Aqui não exis­te res­pos­ta pron­ta que sir­va para todo mun­do. Pro­cu­re um pro­fis­si­o­nal que co­nhe­ça a sua ati­vi­da­de e pos­sa exa­mi­nar o seu caso an­tes de você de­ci­dir. Se há gui­as em aber­to, dú­vi­da so­bre quan­to re­al­men­te se deve, ou o re­ceio de já ter ca­í­do fora do en­qua­dra­men­to, o pon­to de par­ti­da é sem­pre o mes­mo: le­van­tar com­pe­tên­cia a com­pe­tên­cia o que está em co­bran­ça, o que já foi ins­cri­to em dí­vi­da ati­va e o que fal­ta de de­cla­ra­ção. Esse le­van­ta­men­to é o pri­mei­ro pas­so de qual­quer re­gu­la­ri­za­ção, e é o que a gen­te faz na con­ver­sa ini­ci­al. A equi­pe da For­tes Con­tro­la­do­ria fica em São José do Rio Pre­to, aten­de pelo (17) 3203-2536 e pelo What­sApp.