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Contabilidade
20 de julho de 2026Fortes Controladoria

Pró-labore em construtoras de Rio Preto: como separar lucro, caixa da obra e retirada dos sócios

Pró-labore em construtoras de Rio Preto: como separar lucro, caixa da obra e retirada dos sócios

Pró-la­bo­re em cons­tru­to­ras de Rio Pre­to: como se­pa­rar lu­cro, cai­xa da obra e re­ti­ra­da dos só­ci­os

Em cons­tru­to­ras e in­cor­po­ra­do­ras de São José do Rio Pre­to, o di­nhei­ro cos­tu­ma en­trar em on­das: me­di­ção apro­va­da, ven­da de uni­da­de, re­pas­se ban­cá­rio ou si­nal de cli­en­te. O pro­ble­ma apa­re­ce quan­do esse cai­xa da obra se mis­tu­ra com a re­ti­ra­da dos só­ci­os.

A dú­vi­da pa­re­ce sim­ples: pos­so ti­rar como lu­cro ou pre­ci­so pa­gar pró-la­bo­re? Na prá­ti­ca, a res­pos­ta de­pen­de do re­gi­me tri­bu­tá­rio, da es­cri­tu­ra­ção con­tá­bil, da fun­ção do só­cio na em­pre­sa e da re­a­li­da­de de cada obra. Este guia aju­da em­pre­sá­ri­os da cons­tru­ção ci­vil no no­ro­es­te pau­lis­ta a or­ga­ni­zar o tema com mais cla­re­za.

Pró-la­bo­re não é a mes­ma coi­sa que dis­tri­bu­i­ção de lu­cros

O pró-la­bo­re é a re­mu­ne­ra­ção do só­cio pelo tra­ba­lho re­a­li­za­do na em­pre­sa. Pen­se no só­cio que vi­si­ta obra, ne­go­cia com for­ne­ce­dor, apro­va me­di­ção, ge­ren­cia equi­pe, as­si­na con­tra­to ou toma de­ci­sões ope­ra­ci­o­nais. Essa atu­a­ção cos­tu­ma exi­gir re­mu­ne­ra­ção for­mal com­pa­tí­vel com a fun­ção exer­ci­da.

A dis­tri­bu­i­ção de lu­cros é a en­tre­ga aos só­ci­os do re­sul­ta­do eco­nô­mi­co apu­ra­do pela em­pre­sa, de­pois de re­cei­tas, cus­tos, des­pe­sas, tri­bu­tos, pro­vi­sões e obri­ga­ções. Ela não deve ser con­fun­di­da com o sal­do ban­cá­rio do dia.

A di­fe­ren­ça não é de no­men­cla­tu­ra, é de lei. O só­cio que tra­ba­lha na em­pre­sa e re­ce­be por esse tra­ba­lho é se­gu­ra­do obri­ga­tó­rio da Pre­vi­dên­cia, e so­bre o pró-la­bo­re a pró­pria em­pre­sa des­con­ta a con­tri­bu­i­ção do só­cio na fon­te — os 11%, li­mi­ta­dos ao teto do sa­lá­rio de con­tri­bu­i­ção — e re­co­lhe esse va­lor jun­to com a con­tri­bu­i­ção que cabe a ela, no mês se­guin­te ao da com­pe­tên­cia. Lu­cros e di­vi­den­dos se­guem ou­tra lei: des­de ja­nei­ro de 2026, a Lei 15.270/2025 su­jei­ta à re­ten­ção na fon­te de 10% os lu­cros e di­vi­den­dos pa­gos por uma mes­ma em­pre­sa a uma mes­ma pes­soa fí­si­ca aci­ma de R$ 50 mil no mes­mo mês, com re­gras de tran­si­ção que de­pen­dem de quan­do o lu­cro foi apu­ra­do, de quan­do a dis­tri­bu­i­ção foi apro­va­da e de quan­do ela é efe­ti­va­men­te paga. Duas con­se­quên­ci­as prá­ti­cas para o cai­xa: o pró-la­bo­re cus­ta à em­pre­sa mais do que o va­lor que che­ga à mão do só­cio; e, na re­ten­ção so­bre di­vi­den­dos, o li­mi­te men­sal fun­ci­o­na como de­grau — ul­tra­pas­sa­do o va­lor no mês, a re­ten­ção al­can­ça o que foi pago na­que­le mês, e não ape­nas a par­te que ex­ce­deu. Por isso o ca­len­dá­rio da dis­tri­bu­i­ção pesa tan­to quan­to o va­lor dela.

Por que a cons­tru­ção ci­vil exi­ge mais cui­da­do com o cai­xa

O cai­xa da cons­tru­ção ci­vil en­tra por me­di­ção e sai por eta­pa. A em­pre­sa re­ce­be uma par­ce­la gran­de de uma vez e, no mês se­guin­te, tem pa­ga­men­tos con­cen­tra­dos de em­prei­tei­ros, ma­te­ri­al, fo­lha, lo­ca­ção de equi­pa­men­tos, im­pos­tos, ta­xas mu­ni­ci­pais e ajus­tes de me­di­ção. Se os só­ci­os re­ti­ram va­lo­res ape­nas olhan­do o sal­do do ban­co, a obra pode fi­car sem fô­le­go an­tes de ter­mi­nar.

O que pre­ci­sa es­tar na con­ta an­tes de de­fi­nir a re­ti­ra­da:

a en­tra­da de cai­xa da me­di­ção do pe­rí­o­do;

os cus­tos já con­tra­ta­dos para os pró­xi­mos 60 dias;

tri­bu­tos, fo­lha, en­car­gos e ad­mi­nis­tra­ção do mes­mo pe­rí­o­do;

a re­ser­va téc­ni­ca para im­pre­vis­tos da obra;

e só en­tão a so­bra fi­nan­cei­ra até a pró­xi­ma me­di­ção — que é ape­nas um dos dois te­tos da re­ti­ra­da.

São dois te­tos, e vale sem­pre o me­nor. O pri­mei­ro é fi­nan­cei­ro: a so­bra de cai­xa de­pois de hon­rar o que já está con­tra­ta­do. O se­gun­do é con­tá­bil: o lu­cro efe­ti­va­men­te apu­ra­do na es­cri­tu­ra­ção. Em obra os dois ra­ra­men­te co­in­ci­dem, por­que boa par­te do cai­xa é si­nal, adi­an­ta­men­to de cli­en­te e fi­nan­ci­a­men­to à pro­du­ção — isso é pas­si­vo a en­tre­gar, não re­sul­ta­do. Dis­tri­bu­ir aci­ma do lu­cro apu­ra­do é dis­tri­bu­ir lu­cro fic­tí­cio: a isen­ção al­can­ça o lu­cro apu­ra­do, e o ex­ces­so ten­de a vi­rar ren­di­men­to tri­bu­tá­vel na pes­soa fí­si­ca; quan­do re­mu­ne­ra tra­ba­lho do só­cio, pode ain­da ser re­qua­li­fi­ca­do como pró-la­bo­re, com a con­tri­bu­i­ção pre­vi­den­ci­á­ria cor­res­pon­den­te. O Có­di­go Ci­vil ain­da res­pon­sa­bi­li­za os ad­mi­nis­tra­do­res que dis­tri­bu­í­rem lu­cro fic­tí­cio e os só­ci­os que o re­ce­be­rem sa­ben­do — ou de­ven­do sa­ber — da ir­re­gu­la­ri­da­de: a con­ta não fica só na em­pre­sa, al­can­ça quem de­ci­diu e quem re­ce­beu. Por isso a re­ti­ra­da pre­ci­sa con­ver­sar com o or­ça­men­to da obra, o cro­no­gra­ma fí­si­co-fi­nan­cei­ro e a es­cri­tu­ra­ção.

Cons­tru­to­ra no Sim­ples Na­ci­o­nal: Ane­xo IV e es­cri­tu­ra­ção con­tá­bil

Para mi­cro­em­pre­sas e em­pre­sas de pe­que­no por­te op­tan­tes pelo Sim­ples Na­ci­o­nal, a Lei Com­ple­men­tar nº 123/2006 pre­vê isen­ção de im­pos­to de ren­da para va­lo­res efe­ti­va­men­te pa­gos ou dis­tri­bu­í­dos ao ti­tu­lar ou só­cio, sal­vo va­lo­res que cor­res­pon­dam a pró-la­bo­re, alu­guéis ou ser­vi­ços pres­ta­dos. A pró­pria lei tam­bém es­ta­be­le­ce li­mi­te quan­do não há es­cri­tu­ra­ção con­tá­bil que evi­den­cie lu­cro su­pe­ri­or.

Em lin­gua­gem prá­ti­ca: sem es­cri­tu­ra­ção con­tá­bil, a isen­ção fica li­mi­ta­da a um va­lor cal­cu­la­do so­bre a re­cei­ta bru­ta, des­con­ta­da ape­nas a par­te de im­pos­to de ren­da que vem em­bu­ti­da na guia do Sim­ples — um teto que nas­ce de per­cen­tu­al fixo so­bre a re­cei­ta e ig­no­ra a mar­gem real de cada obra, e que por isso pode fi­car bem lon­ge do lu­cro efe­ti­vo, para mais ou para me­nos, con­for­me a ati­vi­da­de con­tra­ta­da. Man­ti­da a es­cri­tu­ra­ção con­tá­bil e evi­den­ci­a­do lu­cro su­pe­ri­or a esse li­mi­te, a li­mi­ta­ção cai, e o que pode ser dis­tri­bu­í­do com isen­ção pas­sa a ser o lu­cro con­tá­bil apu­ra­do. É aqui que a con­ta­bi­li­da­de em dia dei­xa de ser bu­ro­cra­cia e vira di­nhei­ro: sem ela, ou so­bra lu­cro pre­so na em­pre­sa, ou ele sai com ris­co de ser tri­bu­ta­do na pes­soa fí­si­ca. Já a re­ten­ção de 10% da Lei 15.270/2025 tem, para quem está no Sim­ples, um pon­to ain­da em dis­pu­ta: a Re­cei­ta Fe­de­ral en­ten­de que ela al­can­ça tam­bém es­ses lu­cros, e há tese em sen­ti­do con­trá­rio sen­do dis­cu­ti­da no Ju­di­ci­á­rio. En­quan­to isso não se pa­ci­fi­ca, re­ter ou não re­ter é de­ci­são a to­mar com o ris­co me­di­do e re­gis­tra­do, não por com­pa­ra­ção com o vi­zi­nho.

Há ain­da um pon­to que muda a con­ta de qual­quer cons­tru­to­ra do Sim­ples e cos­tu­ma pas­sar ba­ti­do: a obra — cons­tru­ção de imó­veis e obras de en­ge­nha­ria, in­clu­si­ve quan­do exe­cu­ta­da por su­bem­prei­ta­da — cos­tu­ma ser tri­bu­ta­da pelo Ane­xo IV, e o en­qua­dra­men­to exa­to de­pen­de da ati­vi­da­de con­tra­ta­da e do que cons­ta no ca­das­tro da em­pre­sa. Nes­se ane­xo a con­tri­bu­i­ção pre­vi­den­ci­á­ria pa­tro­nal não está den­tro do DAS: ela é apu­ra­da e re­co­lhi­da à par­te, so­bre a fo­lha dos em­pre­ga­dos e tam­bém so­bre o pró-la­bo­re dos só­ci­os. Na prá­ti­ca, cada real de pró-la­bo­re car­re­ga os 20% de pa­tro­nal fora do do­cu­men­to úni­co, além dos 11% des­con­ta­dos do pró­prio só­cio — um cus­to que não apa­re­ce na guia do Sim­ples e, jus­ta­men­te por isso, cos­tu­ma fi­car de fora do or­ça­men­to da obra. Quan­do a em­pre­sa fa­tu­ra em mais de um ane­xo, a re­cei­ta de obra pre­ci­sa ser se­pa­ra­da do res­to, e er­rar essa se­pa­ra­ção dis­tor­ce o cus­to do mês in­tei­ro. De­fi­nir a re­ti­ra­da sem essa con­ta é sub­di­men­si­o­nar o pre­ço da pró­pria re­mu­ne­ra­ção.

Como de­fi­nir uma re­ti­ra­da men­sal mais or­ga­ni­za­da

Não exis­te uma fór­mu­la úni­ca que sir­va para toda cons­tru­to­ra. Uma em­pre­sa de re­for­mas re­si­den­ci­ais em Rio Pre­to tem di­nâ­mi­ca di­fe­ren­te de uma in­cor­po­ra­do­ra com obra lon­ga, ven­das par­ce­la­das e fi­nan­ci­a­men­to à pro­du­ção. Ain­da as­sim, al­guns pas­sos aju­dam.

de­fi­na um pró-la­bo­re com­pa­tí­vel com a fun­ção dos só­ci­os que tra­ba­lham na ope­ra­ção e co­lo­que no or­ça­men­to o en­car­go que vem co­la­do nele: na cons­tru­to­ra do Ane­xo IV, 20% de con­tri­bu­i­ção pa­tro­nal fora do DAS so­bre esse va­lor, mais os 11% des­con­ta­dos do só­cio;

man­te­nha con­tas ban­cá­ri­as e con­tro­les se­pa­ra­dos por obra ou cen­tros de cus­to bem de­fi­ni­dos;

acom­pa­nhe men­sal­men­te flu­xo de cai­xa, con­tas a pa­gar, con­tas a re­ce­ber e mar­gem por obra;

dis­cu­ta dis­tri­bu­i­ção de lu­cros de­pois de apu­rar re­sul­ta­do, tri­bu­tos, re­ser­vas e obri­ga­ções — e lem­bre que a re­ten­ção de 10% se mede na re­la­ção en­tre cada em­pre­sa e cada só­cio, e não na soma do que o só­cio re­ce­be de to­das as em­pre­sas em que par­ti­ci­pa, o que muda o de­se­nho da re­ti­ra­da em gru­po com mais de um CNPJ — lem­bran­do que no ajus­te anu­al da pes­soa fí­si­ca a con­ta vol­ta a ser so­ma­da, en­tão o de­se­nho ali­via o cai­xa do mês, não ne­ces­sa­ri­a­men­te o im­pos­to do ano;

evi­te pa­gar des­pe­sas pes­so­ais di­re­to pela con­ta da em­pre­sa, pois isso dis­tor­ce o re­sul­ta­do.

Para mui­tas cons­tru­to­ras do in­te­ri­or pau­lis­ta, a dis­ci­pli­na men­sal vale mais do que uma re­vi­são apres­sa­da no fim do ano. Quan­do a in­for­ma­ção che­ga tar­de, a de­ci­são dos só­ci­os já foi to­ma­da e o cai­xa pode já ter sido con­su­mi­do.

O que ob­ser­var an­tes de dis­tri­bu­ir lu­cro

a em­pre­sa tem es­cri­tu­ra­ção con­tá­bil atu­a­li­za­da e con­ci­li­a­da?

os im­pos­tos do pe­rí­o­do fo­ram apu­ra­dos e pro­vi­si­o­na­dos?

exis­tem re­ten­ções de ISS, INSS, con­tra­tos em aber­to ou cus­tos de obra ain­da não lan­ça­dos?

o lu­cro é con­tá­bil ou ape­nas sal­do em ban­co?

o con­tra­to so­ci­al per­mi­te a for­ma e a pe­ri­o­di­ci­da­de da dis­tri­bu­i­ção pre­ten­di­da?

Es­sas per­gun­tas não tra­vam a re­ti­ra­da dos só­ci­os. Elas re­du­zem o ris­co de to­mar uma de­ci­são ba­se­a­da em uma fo­to­gra­fia in­com­ple­ta do ne­gó­cio.

Con­clu­são: re­ti­ra­da de só­ci­os tam­bém é ges­tão da obra

Em São José do Rio Pre­to e no no­ro­es­te pau­lis­ta, mui­tas cons­tru­to­ras cres­cem com co­nhe­ci­men­to téc­ni­co, bons re­la­ci­o­na­men­tos e ca­pa­ci­da­de de en­tre­ga. Mas, quan­do a em­pre­sa au­men­ta o nú­me­ro de obras, equi­pes e con­tra­tos, a re­ti­ra­da dos só­ci­os pre­ci­sa dei­xar de ser im­pro­vi­so.

Se­pa­rar pró-la­bo­re, dis­tri­bu­i­ção de lu­cros e cai­xa da obra aju­da a em­pre­sa a en­xer­gar seu re­sul­ta­do, cum­prir obri­ga­ções e de­ci­dir a re­ti­ra­da com base em nú­me­ro apu­ra­do, e não em sal­do ban­cá­rio. O tra­ta­men­to cor­re­to de­pen­de do re­gi­me tri­bu­tá­rio, do ane­xo em que a ati­vi­da­de é tri­bu­ta­da, da es­cri­tu­ra­ção e da re­a­li­da­de ope­ra­ci­o­nal de cada em­pre­sa.

O que vale para uma em­pre­sa não vale para a vi­zi­nha, e o de­ta­lhe que de­ci­de cos­tu­ma es­tar no con­tra­to, na ati­vi­da­de ou no en­qua­dra­men­to. An­tes de se­guir, pro­cu­re um pro­fis­si­o­nal que pos­sa olhar isso com os seus nú­me­ros na mão. Pre­ci­sa de aju­da com pró-la­bo­re, dis­tri­bu­i­ção de lu­cros e or­ga­ni­za­ção fi­nan­cei­ra da cons­tru­to­ra? A For­tes Con­tro­la­do­ria apoia em­pre­sas na or­ga­ni­za­ção con­tá­bil, fis­cal e fi­nan­cei­ra com aná­li­se res­pon­sá­vel do caso con­cre­to. En­tre em con­ta­to: (17) 3203-2536 ou What­sApp (17) 3203-2536.