Reforma tributária vista daqui de Rio Preto: o que muda para 2026

A reforma tributária é nacional, mas ela não chega igual em todo lugar. O efeito real depende do que cada cidade produz, vende e contrata. E Rio Preto tem uma cara econômica bem própria, então faz sentido olhar a mudança com os pés fincados aqui, e não só com a teoria geral da TV.
Antes de qualquer coisa, uma calma: 2026 não é o ano em que tudo vira de cabeça para baixo. A CBS e o IBS já estão valendo desde o começo do ano, mas em fase de teste, com alíquotas pequenas — 0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS. O que costuma passar batido é isto: o alívio deste ano não cai do céu. Ele depende de a empresa cumprir as obrigações acessórias do período, ou seja, de emitir o documento fiscal já com os campos novos preenchidos do jeito certo. Quem não cumprir a parte dele recolhe. O modelo novo convive com o antigo durante toda a transição, que só se completa em 2033. Ou seja, o ano é de ajuste de sistema, de cadastro e de documento fiscal — e é aí que se separa quem chega ajustado de quem chega correndo.
A economia de Rio Preto não é genérica
São José do Rio Preto é um polo forte de serviços, de saúde, de comércio e tem um agro relevante na região ao redor. Cada um desses mundos sente a reforma de um jeito.
O setor de serviços, por exemplo, hoje convive com o ISS municipal. Com o IVA dual — a CBS no lugar de PIS e Cofins, e o IBS no lugar de ICMS e ISS —, a lógica de cálculo e de crédito muda: o tributo passa a ser cobrado por fora do preço e o crédito acompanha o que a empresa comprou de quem também foi tributado. É aí que aperta quem vende basicamente mão de obra: a maior parte do custo é salário, e salário não é compra de fornecedor — não entra na conta do crédito como entra um insumo ou um serviço contratado de outra empresa. Alguns setores de serviço têm tratamento próprio na regulamentação, com redutores e regras específicas, de modo que o tamanho do impacto não é igual para todo mundo — é justamente isso que precisa ser medido com os números da própria empresa antes de repactuar preço de contrato, e não depois de assinar.
O comércio, muito presente na cidade, vive da relação de compra e venda, e aí o aproveitamento de crédito sobre as mercadorias ganha um peso enorme. Quem mantém a documentação fiscal organizada tende a se adaptar melhor. Quem trata nota fiscal com descaso pode perder crédito sem nem perceber.
E quem trabalha com o agro da região tem suas próprias particularidades de tratamento, que vão sendo detalhadas na regulamentação e merecem acompanhamento de perto.
O que dá para fazer ainda este ano
Não é hora de pânico, é hora de arrumar a casa. Na prática isso quer dizer revisar como sua empresa documenta compras e custos, porque crédito mal documentado é crédito perdido. Quer dizer conversar com a contabilidade sobre o que muda no seu setor específico, já que não existe resposta única para comércio, serviço e agro. E quer dizer ficar de olho no sistema de emissão de nota, que vai precisar acompanhar as novas exigências.
Nada disso precisa ser feito de uma vez. A graça da transição gradual é justamente poder ajustar aos poucos, testando, corrigindo, sem deixar tudo para o último minuto.
Uma coisa que costuma ajudar é ter alguém por perto que conheça tanto a regra nacional quanto a realidade de quem empreende aqui na cidade. A reforma é a mesma no papel, mas o impacto no seu caixa depende do seu negócio e do seu setor.