MEI pode contratar funcionário? Pode. E aqui está o que muda.

Chega uma hora em que o microempreendedor não dá mais conta sozinho. As entregas se acumulam, o atendimento sofre, e a ideia de uma ajuda fixa começa a fazer sentido. A boa notícia: o MEI pode, sim, ter um empregado. A notícia que exige atenção: as regras são específicas, e errar aqui dá problema.
A lei permite que o MEI contrate uma pessoa. Uma. Esse é o limite. Se o negócio precisa de duas ou mais, já não cabe mais no MEI, e a empresa precisa migrar para outro enquadramento. Vale parar e pensar nisso antes de contratar, porque às vezes o crescimento já está pedindo a mudança de categoria de qualquer forma.
O custo de ter esse funcionário
Aqui está o ponto que pega muita gente. Ter o empregado do MEI não é só pagar o salário combinado. Sobre essa contratação existem obrigações.
O salário desse empregado tem um teto: ele deve receber exatamente 1 salário mínimo ou o piso da categoria (o que for maior). Pagar acima disso descumpre a condição do MEI — a empresa perde a contribuição patronal reduzida de 3% e pode ser desenquadrada do SIMEI. Horas extras e adicionais legais não entram nessa conta. Sobre a folha incide a contribuição previdenciária patronal e o FGTS, que são depositados mensalmente. E, como qualquer empregado com carteira, essa pessoa tem direito a décimo terceiro, férias com adicional e demais direitos. Tudo isso entra no custo total.
Ou seja, o MEI que contrata passa a ter uma folha, mesmo que de uma pessoa só. E folha tem obrigação mensal: cálculo, geração de guias, prazos. Não dá mais para tocar tudo no improviso.
Como manter isso enxuto sem furar a lei
Não existe mágica para zerar o custo, mas dá para evitar desperdício e susto:
Comece pelo contrato certo. Definir bem a jornada, usar o contrato de experiência no início, deixar claro o tipo de vínculo. Isso evita confusão e custo extra depois.
Provisione os valores que não são mensais. O décimo terceiro e as férias chegam de uma vez. Quem separa um pouco todo mês não toma susto.
Cumpra os prazos. Guia paga em dia evita multa e juros, que são despesa que ninguém precisa ter.
E talvez o mais importante: pense se o MEI ainda é o enquadramento certo para você. Sair do MEI não costuma baratear a conta — o MEI paga um valor fixo mensal, e a microempresa no Simples Nacional passa a pagar um percentual sobre o faturamento, somado a honorário contábil e ao INSS sobre o pró-labore. O que a mudança traz é espaço para crescer: mais de um funcionário, faturamento maior, atividades que o MEI não aceita. Se compensa ou não depende do enquadramento, da atividade e dos números da empresa, e só aparece fazendo a conta do caso concreto.
Não improvise nessa parte
Contratar errado, registrar errado ou perder prazo costuma sair bem mais caro do que fazer certo desde o começo. A informalidade parece economia, mas é risco guardado para depois.