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Construcao Civil
Publicado em 9 de outubro de 20266 min de leitura

IBS e CBS na nota fiscal da obra: o que mudou em outubro

A me­di­ção de se­tem­bro foi apro­va­da, a nota saiu nos pri­mei­ros dias de ou­tu­bro e o cli­en­te de­vol­veu com uma per­gun­ta: o que é esse 1% que apa­re­ceu no do­cu­men­to? Essa cena deve se re­pe­tir em mui­tos can­tei­ros nes­te mês, por­que a nota fis­cal de ser­vi­ço mu­dou de cara no dia 1º de ou­tu­bro de 2026. Des­de essa data, a NFS-e pre­ci­sa tra­zer os cam­pos do IBS e da CBS, os dois tri­bu­tos cri­a­dos pela re­for­ma tri­bu­tá­ria (Emen­da Cons­ti­tu­ci­o­nal 132/2023 e Lei Com­ple­men­tar 214/2025).

O que que­re­mos aqui é ex­pli­car isso para quem toca obra, sem en­trar na par­te téc­ni­ca que fica com o con­ta­dor. O que muda no do­cu­men­to, o que con­ti­nua igual no pre­ço e onde está o ris­co de ver­da­de para o cai­xa da cons­tru­to­ra.

O que apa­re­ceu na nota e por que o va­lor co­bra­do não mu­dou

Em 2026 a re­for­ma está em fase de tes­te. A nota pas­sa a des­ta­car uma CBS de 0,9% e um IBS de 0,1% so­bre o va­lor do ser­vi­ço, e esse des­ta­que tem ca­rá­ter in­for­ma­ti­vo. A lei pre­vê que a em­pre­sa que cum­pre as obri­ga­ções aces­só­ri­as, ou seja, emi­te a nota do jei­to cer­to e en­tre­ga as de­cla­ra­ções no pra­zo, fica dis­pen­sa­da de re­co­lher esse va­lor nes­te ano. A ideia do go­ver­no é ca­li­brar o sis­te­ma e acos­tu­mar todo mun­do com os cam­pos no­vos an­tes de o im­pos­to va­ler de fato, a par­tir de 2027.

Para dar for­ma a isso, pen­se em uma me­di­ção de R$ 200.000,00 de exe­cu­ção de obra. A nota con­ti­nua co­bran­do os mes­mos R$ 200.000,00 do cli­en­te, e o ISS con­ti­nua sen­do cal­cu­la­do como sem­pre foi. O que apa­re­ce a mais são duas li­nhas: CBS de R$ 1.800,00 e IBS de R$ 200,00, so­man­do R$ 2.000,00 de des­ta­que. Esse nú­me­ro não é co­bra­do do cli­en­te nem sai do cai­xa da cons­tru­to­ra em 2026 quan­do a em­pre­sa está em dia com as obri­ga­ções. O exem­plo é ilus­tra­ti­vo, e a con­ta real de­pen­de do en­qua­dra­men­to da em­pre­sa e do tipo de ser­vi­ço, en­tão con­fi­ra com o seu con­ta­dor como a sua nota está sa­in­do.

Dito de ou­tra for­ma, quem re­ce­beu a nota não pre­ci­sa pa­gar nada a mais, e quem emi­tiu não pre­ci­sa se­pa­rar di­nhei­ro para esse 1%. O que pre­ci­sa es­tar cer­to é a in­for­ma­ção, e é nela que a con­ver­sa fica sé­ria.

Quem já está obri­ga­do e quem ain­da tem pra­zo

O cro­no­gra­ma veio no Ato Con­jun­to RFB/CGIBS nº 4/2026, pu­bli­ca­do no fim de ju­lho. Para a mai­or par­te dos ser­vi­ços su­jei­tos ao ISS, in­clu­si­ve a exe­cu­ção de obra por em­prei­ta­da ou por ad­mi­nis­tra­ção, a obri­ga­to­ri­e­da­de na NFS-e co­me­çou em 1º de ou­tu­bro de 2026. Al­gu­mas ati­vi­da­des fi­ca­ram para 1º de de­zem­bro de 2026, caso de pla­ta­for­mas di­gi­tais, li­cen­ci­a­men­to de soft­ware e lo­ca­ções, se­gun­do o pró­prio cro­no­gra­ma. Se a sua em­pre­sa pres­ta mais de um tipo de ser­vi­ço, cada um pode ter uma data, e isso pre­ci­sa es­tar ma­pe­a­do.

Quem está no Sim­ples Na­ci­o­nal só en­tra nes­sa obri­ga­ção em 1º de ja­nei­ro de 2027, e ain­da as­sim de­pen­den­do da es­co­lha que a em­pre­sa fi­zer so­bre apu­rar IBS e CBS fora do DAS. Já tra­ta­mos des­sa de­ci­são em Sim­ples Na­ci­o­nal hí­bri­do: a cons­tru­to­ra deve op­tar?, e o pra­zo para ela está cor­ren­do. Para a cons­tru­to­ra do Sim­ples, a nota de ou­tu­bro ain­da sai como an­tes, mas o ano que vem co­me­ça com re­gra nova.

Em São José do Rio Pre­to há um de­ta­lhe a mais. Pelo que a pre­fei­tu­ra di­vul­gou, as em­pre­sas do Sim­ples pas­sam a emi­tir a NFS-e pelo Emis­sor Na­ci­o­nal a par­tir de 1º de no­vem­bro de 2026, e o sis­te­ma mu­ni­ci­pal dei­xa de acei­tar es­sas emis­sões. É uma tro­ca de fer­ra­men­ta, que pede ca­das­tro, aces­so e um tes­te an­tes do pri­mei­ro fa­tu­ra­men­to de no­vem­bro. Como esse pra­zo já foi adi­a­do uma vez ao lon­go do ano, con­fir­me a data vi­gen­te com o seu con­ta­dor an­tes de se pro­gra­mar.

Se o sis­te­ma acei­ta a nota sem os cam­pos, onde está o ris­co?

O co­mi­tê que ad­mi­nis­tra a NFS-e na­ci­o­nal in­for­mou que, até 31 de de­zem­bro de 2026, a nota emi­ti­da sem as in­for­ma­ções de IBS e CBS não será re­jei­ta­da pelo sis­te­ma. Mui­ta gen­te leu isso como adi­a­men­to, e aí mora a con­fu­são. A obri­ga­ção con­ti­nua va­len­do des­de 1º de ou­tu­bro. A nota au­to­ri­za­da sem os cam­pos fica em des­con­for­mi­da­de, o que pode ge­rar pe­na­li­da­de e, mais adi­an­te, re­tra­ba­lho para cor­ri­gir do­cu­men­to por do­cu­men­to. O ta­ma­nho da pe­na­li­da­de e o mo­men­to em que ela pas­sa a ser apli­ca­da de­pen­dem da re­gu­la­men­ta­ção, por isso pre­fe­ri­mos não cra­var va­lor aqui.

O ris­co prá­ti­co vem em duas on­das. A pri­mei­ra é ago­ra. O to­ma­dor do ser­vi­ço, prin­ci­pal­men­te a in­cor­po­ra­do­ra ou a em­pre­sa mai­or que já ajus­tou o pró­prio sis­te­ma, pode re­cu­sar a nota que che­ga in­com­ple­ta, por­que ela en­tra na con­ta­bi­li­da­de dele e vai ser­vir de base para cré­di­to no ano que vem. Nota de­vol­vi­da sig­ni­fi­ca me­di­ção apro­va­da que não vira di­nhei­ro na data com­bi­na­da, e quem toca obra sabe o que é pa­gar a quin­ze­na da equi­pe com o re­ce­bi­men­to atra­sa­do.

A se­gun­da onda vem em 2027, quan­do o pe­rí­o­do de to­le­rân­cia ter­mi­na e a CBS pas­sa a ser co­bra­da de ver­da­de. Quem che­gar em ja­nei­ro com o emis­sor de­sa­tu­a­li­za­do, os ser­vi­ços clas­si­fi­ca­dos de qual­quer jei­to e as no­tas de for­ne­ce­do­res sem con­fe­rên­cia vai des­co­brir o pro­ble­ma no pior mo­men­to, com fa­tu­ra­men­to pa­ra­do e im­pos­to novo para apu­rar ao mes­mo tem­po. Ve­mos na prá­ti­ca que a em­pre­sa que ar­ru­ma a casa no ano de tes­te gas­ta al­gu­mas ho­ras; a que dei­xa para ja­nei­ro gas­ta se­ma­nas.

Per­gun­tas que têm che­ga­do ao es­cri­tó­rio

O cli­en­te pode des­con­tar esse 1% do pa­ga­men­to?

Não há base para isso em 2026. O va­lor é des­ta­que in­for­ma­ti­vo, não al­te­ra o pre­ço con­tra­ta­do e não é re­ti­do pelo to­ma­dor. Se um cli­en­te des­con­tou, peça a jus­ti­fi­ca­ti­va por es­cri­to e leve ao con­ta­dor, por­que pro­va­vel­men­te hou­ve con­fu­são com as re­ten­ções que já exis­tem na cons­tru­ção, como as de ISS e de INSS.

Pre­ci­so re­fa­zer as no­tas de ou­tu­bro que sa­í­ram sem os cam­pos?

De­pen­de de como a nota saiu e de qual sis­te­ma a au­to­ri­zou. Em al­guns ca­sos cabe subs­ti­tu­i­ção, em ou­tros o ajus­te é fei­to de ou­tra for­ma. Essa ava­li­a­ção é do con­ta­dor, com a nota em mãos, e quan­to an­tes me­lhor, por­que o can­ce­la­men­to na pla­ta­for­ma na­ci­o­nal tem pra­zo con­ta­do em dias a par­tir da emis­são.

E o ISS, mu­dou al­gu­ma coi­sa?

Em 2026, nada. O ISS con­ti­nua sen­do cal­cu­la­do, re­ti­do quan­do for o caso e re­co­lhi­do no mu­ni­cí­pio da obra, como ex­pli­ca­mos em ISS no lo­cal da obra. A subs­ti­tu­i­ção do ISS e do ICMS pelo IBS só co­me­ça em 2029 e ter­mi­na em 2033. Por en­quan­to a mu­dan­ça está na in­for­ma­ção da nota, e o im­pos­to mu­ni­ci­pal se­gue igual.

Re­for­ma tri­bu­tá­ria cos­tu­ma che­gar ao dono de cons­tru­to­ra como no­tí­cia dis­tan­te, coi­sa de 2027 ou de 2033. Ou­tu­bro mos­trou que ela já está na nota da me­di­ção des­ta se­ma­na. O va­lor ain­da não pesa, mas a in­for­ma­ção já con­ta, e a nota é o pri­mei­ro lu­gar onde o fis­co, o cli­en­te e o for­ne­ce­dor vão olhar. Se qui­ser sa­ber como a nota da sua em­pre­sa está sa­in­do e o que ain­da fal­ta ajus­tar an­tes de no­vem­bro e de ja­nei­ro, a equi­pe da For­tes aten­de cons­tru­to­ras e in­cor­po­ra­do­ras de Rio Pre­to e re­gi­ão pelo (17) 3203-2536 ou pelo What­sApp https://wa.me/5517981638967. Tra­ga uma nota de ou­tu­bro para a con­ver­sa, que a gen­te co­me­ça por ela.